19.3.08

Tezenis


A pedido do público masculino, decidi incluir no seguimento da última crítica que escrevi a mais recente imagem de campanha da Tezenis.
A marca do grupo Calzedonia investiu recentemente 10 milhões de euros num edifício da Rua Augusta, para aí construir aquela que será a sua loja bandeira em Portugal e que já representa o maior investimento internacional do grupo. A marca tem planeia ainda construir um hotel de charme nesse edifício da baixa lisboeta onde no passado esteve a emblemática loja de relógios Caravela. A ideia é manter o traçado original do edifíco e rentabilizar o excelente negócio que, segundo o director geral da Tezenis para Portugal, ainda se vai podendo fazer naquela zona da cidade.
A linha Tezenis assenta numa gama de qualidade um pouco inferior à da Intimissimi (do mesmo grupo) com preços mais baixos. No entanto, a julgar pela menina de tranças que invadiu a cidade em tudo quanto é mupis, a qualidade poderá perfeitamente passar para segundo plano. Aquilo que se quer são propostas giras e diferentes. Já que tudo hoje em dia tende para se tornar descartável, porque também não a lingerie? Serviu para o efeito, joga fora. Next!

13.3.08

Belezas

Num percurso que fiz de carro entre duas zonas distintas da cidade, e invariavelmente sempre colada aos mupis que aparecem, reparei que estamos a viver uma vaga de anúncios a marcas de moda ou com ligações a ela. A proximidade da Primavera leva as marcas a desafiar os consumidores com imagens de pessoas bonitas e sensuais. O factor aspiracional associado é um dos efeitos pretendidos pelas marcas. A ideia é fazer alguém comprar alguma coisa tendo como impulso o desejo de conquista de um determinado status ou estilo de vida, de beleza, etc. Isso é muito comum em marcas de moda.

Vejamos a nova campanha da Pepe Jeans, com o actor Ashton Kutcher e a modelo canadiana Daria Werbowy, um exemplo de beleza baseado em rebeldia e juventude, um ar descontraído e despreocupado que cada vez atrai mais adeptos.


Já um exemplo clássico de beleza, associado a valores mais conservadores, é a nova campanha de perfumes da Dolce&Gabanna, que desta vez recorreu à imagem (e não só) do meu querido Matthew MacConaguey. A imagem fala por si e apesar de haver muita gente que ache a marca em questão uma foleirice tal, a verdade é que ela pode ter-se transformado num exemplo de novo riquismo, pelo público que actualmente consome os seus produtos, mas continuará sempre a apelar a valores como os do anúncio do The One, precisamente pelo factor aspiracional que representa.

E continuando na onda de anúncios a perfumes, nem a propósito do dia do Pai, a Davidoff foi buscar o não menos querido Ewan Mcgregor. Mas este, associaram-no a aventura - Adventure - o novo perfume da marca. O papel caíu-lhe muito bem.

Para acabar, queria ainda deixar-vos com a nova imagem da mais recente campanha do perfume Solo da Loewe, esta muito mais exótica e menos consensual no que toca ao modelo escolhido.


28.2.08

Miniatura

Está desde o início do ano um Fiat 500 exposto na zona do Chiado, ao pé da Bénard, dentro de uma caixa a imitar uma réplica em miniatura. O carro, que só será lançado em Portugal durante o mês de Março, está a causar um enorme furor na Europa e por cá já acumula muitos nomes em lista de espera.
As reedições de carros de sucesso, emblemáticos do passado, não são surpresa entre nós. Basta pensarmos no delírio que a reedição do carocha causou entre o público, sobretudo feminino, ou a mais recente versão do Mini Cooper, uma bomba de arrasar corações. Quanto ao Fiat 500, trata-se de uma aposta fundamental na nova estratégia da Fiat que, após ter estado alguns anos adormecida entre as massas, parece agora ter encontrado a maneira certa de voltar a agradar aos mais cépticos ou, pelo menos, de chamar à atenção.
As primeiras unidades a chegar ao nosso país já têm dono e lá fora já ouve até quem comprasse o carro para depois o por à venda no e-bay.
Os clássicos têm esta capacidade, deixam as pessoas em frenesim. Resta comprovar se tanto buzz à volta do modelo se verifica depois no seu desempenho e capacidade de resposta da marca aos pedidos e pós-venda. Estaremos cá para ver!

26.2.08

Spring Time


A Compal mudou a imagem das suas embalagens e encheu as ruas da cidade de cor, fruta, borboletas e colibris. A campanha que comunica o restyling representa um investimento de 2 milhões de Euros em publicidade exterior à qual é impossível passar indiferente. Só de olhar para as imagens, desenvolvidas pela Dragon Rouge, parece que fico ainda com mais vontade que a Primavera chegue!
Assumindo uma proximidade cada vez mais maior com a natureza, a Compal pretende também com a nova imagem segmentar melhor as suas marcas, Clássico, Light, Fresh e Vital, junto dos públicos específicos de consumidores.
As ilustrações são da responsabilidade de Benedita Feijó e Michael Andersen (www.interactcreative.com).

4.2.08

Rebrandings

Um rebranding significa, de uma forma muito simples, uma mudança visual das marcas. Podendo ser motivado por diversos aspectos, normalmente está associado a uma intenção de reposicionamento ou, se preferirem, à necessidade em mudar a forma como o público percepciona a marca.

No caso da Optimus, a nova imagem pretende reflectir uma maior aproximação ao cliente e à satisfação de necessidades específicas - "de que é que precisas" - é a nova assinatura da marca e a pergunta que traduz valores como flexibilidade e adaptabilidade. Para dar vida ao novo posicionamento que coloca o cliente no centro do discurso, a Optimus abandonou o boomerang, símbolo da anterior imagem, e adoptou o conceito de magma. Este novo elemento é usado para exprimir a dinâmica das relações humanas, como que um organisamo vivo resultante delas e originou uma certa polémica no meio pela semelhança com a imagem do Nokia Trends Lab.











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A campanha multimeios (e mais alguns), que no total custou cerca de 32 milhões de euros, na minha opinião foi melhor conseguida nos suportes imprensa e outdoor, já que o anúncio de TV não deixa clara a intenção de recurso ao magma. "Ninguém vive sem palavras", "Ninguém vive sem emoções", "Ninguém vive sem paixão", "Ninguém vive sem aventuras", "Ninguém vive sem amigos", são as frases que dão mote às imagens de imprensa e outdoor, onde a interactividade e a dinâmica das relações humanas, aí sim, estão claras.

Resta saber quais os efeitos que esta mudança trará para a Optimus que tem vindo a perder clientes e lucros nos últimos tempos. Porque o hábito não faz o monge. (bonito, hein)

(Quanto a rebrandings, fica ainda a faltar falar do Banif/Roxo/Centauro e Zon/PT Multimedia)

Motorola



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ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
Numa altura em que correm rumores sobre a saída da Motorola do negócio dos telemóveis (que representa mais de 50% da facturação da empresa), resolvi lembrar a última campanha de mupis feita pela marca em Portugal.

A imagem diz respeito à edição de luxo do RAZR2 V8 - o V8 luxury, um telefone com acabamentos em ouro de 18k e 24 k. Podem não ser consensuais as opiniões acerca do produto, mas dificilmente alguém conseguirá negar a qualidade e originalidade que caracteriza a publicidade da Motorola.
Hellomoto!

28.12.07

Amigos Íntimos

Aconselho vivamente a todas as mulheres e homens a consulta da seguinte página:

http://www.intimissimi.it/hearttango/english/index.html

Aviso: ESTÁ ÓPTIMO! (óptimo, óptimo)

A Monica Bellucci é, sem qualquer sombra de dúvida, um autêntico MULHERÃO!
E o nosso José Fidalgo está muito apetitoso naquele papel.

Excelente campanha, muito bem sustentada e direccionada.
Se tiverem tempo, explorem o site todo, vale a pena.
Isto sim é um exemplo de uma coisa bem feita! Gostava de escrever mais, mas vou ficar a aguardar os vossos comentários. Aliás, a curta-metragem, gravada em Lisboa, fala por si.
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

18.12.07

Dá vontade de chamar outra coisa

Ossos do ofício. Era inevitável saber que os CTT se preparavam para lançar uma rede virtual de telecomunicações antes de a campanha sair para a rua. Mas estava longe de adivinhar que o nome que lhe íam dar era Phone-ix!

Não é que eu seja uma pessoa de mentalidade fechada ou demasiado limitada, só que Phone-ix não é nome que se dê a nada. Ou pelo contrário, é o nome que damos quando a consciência ou a circunstância nos obriga. Outra coisa é alguém, na sua perfeita consciência, chamar um produto assim.

Os CTT são aquela institução pesada, antiga e tradicional, que tem cada vez menos pessoas jovens nas suas enfadonhas estações, normalmente ponto de encontro de velhotes quando vão levantar a reforma. Ora pensem lá comigo, se as estações dos CTT estão sempre cheias de pessoas mais velhas, quem é que consegue imaginar uma senhora de 68 anos a dizer à medica da caixa que agora tem um número de telemóvel da Phone-ix?

Está certo que o nome chama à atençao e fica no ouvido de todos, mas é daquelas escolhas que dificilmente surtem os efeitos desejados. Além disso, ainda sou um bocadinho céptica relativamente a operadoras virtuais.

Não podemos negar o sucesso de uma UZO, bem sei, mas mesmo assim acho que são fenómenos de nicho e, claramente, os CTT não estão a comunicar com nicho nenhum. Não têm um target definido, estão a apontar para todos os lados e por isso são incongruentes na mensagem que pretendem passar que, basicamente, trata-se do facto de venderem chamadas mais baratas.

Na minha opinião, o problema das redes virtuais é a exigência de procura de informação por parte dos consumidores. As pessoas têm de ir por si tentar perceber do que se trata para depois poderem comparar. É preciso que haja em primeiro lugar uma pré-disposição, um call-to-action forte que leve as pessoas a querer saber mais. No entanto, haverá sempre uma TMN ou uma Vodafone a berrarem aos nossos ouvidos por todos os lados, dificultando as iniciativas empreendedoras dos mais atentos e curiosos às mensagens das operadoras virtuais.

Se pensar com mais de calma (e se conseguir esquecer por momentos a imagem da Vanessa Fernandes nos cartazes), talvez até possa perceber um bocadinho melhor a estratégia do Phone-ix A verdade é que toda a gente fala da nova operadora (ou do seu nome?) e que há muito tempo não se falava tanto dos CTT. E só.
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa




13.9.07

Avante
















11.9.07

baby steps

O joana-come-a-papa é um blogue que eu encaro como um projecto pessoal e do qual me orgulho imenso. Há 1 ano que decidi avançar com a criação deste espaço e hoje sinto-me feliz. Como passinhos de bébé que lentamente nos levam onde queremos e que, de uma forma suave, nos fazem perceber que estamos no caminho certo, o joana-come-a-papa tem servido para reafirmar a minha paixão pelo Marketing.

Vou continuar a escrever sobre aquilo que me rodeia e me salta à atenção, seja positiva ou negativamente.

Conto com vocês. De outra forma não faria sentido.

Obrigada a todos!


30.8.07

Mini Guerra


Era tão inevitável a resposta da Sagres à pseudo-mini da Super Bock, tal como este post a comenta-lo.

É um facto cada vez mais comprovado que a criatividade da Super Bock anda fraca. E, sinceramente, gostava muito de saber se isso já se começa a reflectir nas vendas... coisa que também não me admirava, porque a Sagres já não chamava tanto à atenção como nos últimos tempos. Há que admitir, este Verão a publicidade da Sagres está muito melhor do que a da Super Bock! Como é lógico, isso deverá originar uma melhoria das vendas, causada pelo aumento da brand awareness que a marca da Central de Cervejas tem conseguido à custa de uma boa publicidade e, temos de admitir, da mó de baixo criativa em que anda a sua principal concorrente.

Filosofias de Marketing à parte, a verdade é que a Super Bock acaba de investir 3,5 milhões na campanha "Refresca numa rapidinha". Além dos tradicionais outdoor, imprensa e internet, a garrafa de cerveja mais disputada dos últimos tempos chega pela primeira vez aos ecrãs de TV, uma vez que nunca antes tinha sido publicitada através deste meio.
No entanto, esta inovação não vai chegar para calar a Sagres, detentora da verdadeira MiNi. É que a nova mega campanha da Sagres arrancou esta semana em mais de 3500 mupis e 700 retaguardas de autocarro distribuídos por todo o país.

A campanha pretende reforçar que desde 1972 a MiNi é Sagres.

Bruuuuuuuuuuuutal!

14.8.07

Põe-te a léguas


A pedido de muitas famílias (e alguns solteiros inveterados), venho acrescentar ao post anterior uma alínea que, por lapso (ou terá sido voluntariamente?), deixei passar.

O investimento de 4 milhões da Super Bock para este Verão inclui ainda uma aposta forte na campanha publicitária "Põe-te à Fresca", cujo resultado mais visível é o irritante spot televisivo com a adaptação do Mambo nº5 do Louie Vega. Além de terem ido buscar uma música que rodou insistentemente no verão de há 4 ou 5 anos atrás, a letra foi feita à martelada.
O que safa são as imagens, alegres, veraneias, com meninas e meninos bastante apetitosos e felizes.
Bom casting.

Nada mais.

12.8.07

Secura

Correndo o risco de me tornar repetitiva, não resisto em escrever novamente sobre a marca mais famosa da Unicer. E não, não recebo comissões em género, até porque não sou lá muito de cerveja.

Quem anda por Lisboa nestes tempos, provavelmente já terá reparado na extraordinária falta de imaginação da nova vaga de mupis da Super Bock. Aliás, deixem-me que vos diga, vivemos uma época de marasmo criativo que até assusta! É caso para dizer que as marcas decidiram dar férias às agências e deixar as pessoas descansar de publicidade criativa. Eu, pessoalmente, já não aguento a escassez de boas ideias para comentar e vibrar, como normalmente faço. Não seria esta uma boa altura para as marcas se aproximarem dos consumidores quando estamos completamente descontraídos pelo clima de férias? Talvez... mas também talvez por isso elas se tenham mudado para onde as pessoas estão agora: os festivais de verão, as praias e os locais de divertimento nocturno.

Ok. Então se é assim, quem fica pela cidade vê-se obrigado a levar com publicidade má, é isso? E é aqui que volto à nova campanha da Super Bock. A coisa começou com um fraco jogo de palavras em alusão à Ray-Ban, o Ray-Bock.


Eis então que surge, no início de Agosto, a versão Bockini que, apesar de não ser péssima, também deixa muito a desejar relativamente a campanhas anteriores.




Mas a coisa não parou por aqui e o pior ainda estava para vir. Infelizmente não posso dar-vos o prazer de verem a imagem do pior mupi da história da Super Bock no meu blog. No entanto, não será difícil, se isso ainda não aconteceu, darem de caras com ele... Com o Fino Dental!
O que é aquilo? Onde é que está a ligação com o produto publicitado, onde é que está a piada da imagem, aliás, o que é que a imagem tem a ver com o fio dental que era suporto fazer lembrar??? Enfim, deve ser do calor...

Só para que fiquem com a informação toda, esta vaga de mupis insere-se num investimento de 4 milhões que a Super Bock vai gastar durante o Verão, entre eles o SBSR, o Sudueste TMN e o Super Bock Surf Fest.

Haja dinheiro!

27.6.07

Vai uma Mini?

No ano em que comemora 35 anos, a Sagres Mini voltou em força. É certo que nunca passou de moda, mas nunca esteve tanto na boca de toda agente (literalmente) como agora. Até eu, que não sou grande fã de cerveja, já me rendi ao carácter fun de ter uma garrafa de mini na mão e ao facto de ficar minimamente alegre depois de algumas.

É precisamente esse o objectivo da Sagres, que já não publicitava a Mini há 30 anos, rejuvenescer a marca, concedendo-lhe uma atitude ousada e moderna, aproximando-a assim de um público claramente jovem.
A Mini Designers Edition assinala o arranque desta fase da marca com a edição limitada de 1 milhão de litros de garrafas com rótulos de autor do estúdio de design Dasein - http://www.dasein.pt/. Uma abordagem criatviva (e chamativa) sobre aquela que já se tornou a mais desejada das bebidas deste Verão.
No seguimento da estratégia de captação de público jovem, a Sagres marcou presença como patrocinador principal do Oeiras Alive 07, evento que, como se sabe, pertence à nova "Everything is new", a mais recente concorrente (e única?) da "Música no Coração". Tendo esta última um historial de parceria com a Super Bock, não seria de estranhar que surgisse uma amizade da "Everything is new" com a Sagres, mais concretamente com a Mini, no referido festival.

Só para terminar, acho curioso referir que a Mini vende metade do que a Coca-Cola em Portugal e representa 20% do total das vendas da Sagres. Curioso também, para não chamar bizarro, são as garrafas de mini da Super Bock.
Lamento, mas Mini, é Sagres!

8.6.07

Água mole em pedra dura...



A nova campanha da Pedras Salgadas está linda!

É claro que a joaninha que carrega tranquilamente uma garrafa de Levíssima, a água das pedras com 50% menos de gás, contribuiu para me chamar a atenção para a campanha, mas todos os mupis e os filmes de televisão estão feitos com um cuidado extremo e uma delicadeza tal que só dá vontade de desatar a beber água das pedras e fugir para o campo! É que estão mesmo queridos os anúncios!





A campanha "Trazida até si pela Natureza" pretende reforçar o novo posicionamento das Pedars Salgadas "O poder da Natureza é infinito". O objectivo é passar a ideia de que a água das pedras é engarrafada, ao invés de ser produzida, ou seja, muito mais natural do que todas as outras. Além disso, pretende-se criar uma noção de produto de luxo, topo de gama, apesar de se tratar de um mercado para o qual os portugueses só recentemente tomaram consciência existir.




O mercado das águas, em franco desenvolvimento nos últimos tempos, promete ser um dos que mais pode crescer devido ao surgimento de novas variações dentro da gama de produtos de águas lisas e também de águas com gás. Temos assistido a um verdadeiro Boom de lançamentos de águas, são águas que emagrecem, águas para desportistas, com sabores, com isto e com aquilo. Apesar de ser novidade em Portugal, o mercado das águas é há muito explorado em outros países e só agora se apresenta como uma aposta das marcas nacionais, como a Pedras Salgadas, Vitalis, Frize e Luso.

30.4.07

Caça aos €uros


Numa altura em que os supermercados parecem estar em guerra aberta, o Minipreço conquistou um lugar de destaque no meio de uma salganhada gigante de preços baixos, descontos e poupanças atrás de poupança.

A fórmula é simples. Começaram com a campanha do "Use a Cabeça" e recentemente evoluiram para os €urónios, uns seres com vida própria que vivem dentro do cérebro e conduzem as decisões de compra da forma mais inteligente. E quem não usa os seus €urónios é porque não é inteligente! Basicamente, estão a chamar burros aos outros, aqueles que vão ao Continente e ao Modelo usar o "Maior Cartão de Descontos do País", ou ao Pingo Doce, o Sítio do Costume, ou ainda aqueles que Só! vão ao Feira Nova. Eleger um supermercado é fácil, "é como encontrar um trevo na tromba de um elefante"!

Difícil é fidelizar...

23.4.07

Psicologia do Cabelo

A Joana Solnado é a nova cara dos anúncios da Organics. Desde o início de Abril que podemos assistir a um spot televisivo, produzido pela Garage Films, onde a Joana (somos íntimas) vai aparecendo com diferentes penteados que reflectem os diferentes estados de espírito do cabelo (sim o cabelo de uma mulher tem estados de espírito) que condicionam diariamente a vida das mulheres. E está o máximo. Pelo menos eu revejo-me completamente no dilema de não saber como o meu cabelo vai acordar!

A campanha "Espelho Meu" conta com um investimento de media na ordem dos 3 Milhões Euros (ah pois é) e terá como suportes TV, internet, 8x3 e mupis. A actriz foi escolhida pelo seu percurso por existir uma associação positiva à sua imagem e personalidade. No fundo, ela é uma miúda gira como tantas outras, absolutamente simples mas com indícios de personalidade forte e dinamismo.



"O seu cabelo tem muitas formas. Para todas elas há um Organics"

A excelente assinatura que remata o filme da marca do grupo Unilever Jerónimo Martins, remete as nossas cabecinhas para as prateleiras do supermercado à procura desse tal Organics que vai acabar com os nossos dilemas capilares. Eu não sou fidelizada em nenhuma marca de shampoo. Muito pelo contrário, sou uma autêntica prostituta dos shampoos, sempre a experimentar aquele que mais se adequa ao meu cabelo. Mas já passei pelo Organics e confesso que fiquei tentada a traze-lo para casa outra vez!

12.4.07

Triunfo passado

Se ainda não se aperceberam dos novos outdoors da Triumph, já devem ter reparado nuns outdoors com uma menina em lingerie, ou então já viram uns outdoors da Cláudia Vieira deitada com lingerie da Triumph. Se não confirmam nenhuma das hipóteses anteriores ou andam a dormir, ou são cegos. É que eles estão em todo o lado, ou melhor, ela.




A "actriz-modelo" (?) Cláudia Vieira é a Mulher Triumph 2007, que é como quem diz, a nova imagem da marca. O título de embaixadora, que já pertenceu a Mariza Cruz e Isabel Figueira, chegou a ser discutido para Soraia Chaves, mas acabou por ser Cláudia Vieira a escolhida para este ano. De acordo com a Triumph, ela reflecte totalmente o espírito da marca: "criatividade, modernidade e empreendedorismo" (empreendedorismo? Então podia lá estar eu!), além de ser "uma cara com a qual as pessoas se possam identificar" (uma cara, porque um corpo é mais difícil).

A campanha, apoiada no conceito "Body art by Triumph", é exclusiva e adaptada ao mercado nacional e foi desenvolvida pela agência de publicidade Get Design que, no final do ano passado, esteve a concurso juntamente com a Norma Jean, a Lowe e a Brandia Central. Representando um investimento total de aproximadamente 1,100 mil euros, conta com inserções na imprensa feminina e outdoor (mupis e 8x3).

A Triumph, marca histórica de lingerie com mais de 100 anos, sempre representou pioneirismo, qualidade e confiança mas, na minha opinião, não soube acompanhar a evolução das tendências no mercado de vestuário interior feminino (lindo!), tendo-se tornado uma marca obsoleta e desinteressante perante uma concorrência como a Intimissimi, a Woman's Secret ou a Oysho, já para não falar da estonteante Victoria's Secret. Muito mais modernas, estas últimas fizeram da lingerie uma coisa menos pesada, menos "institucional", sem lhe tirar o encanto próprio. É claro que não estou a discutir parâmetros de qualidade, que indiscutivelmente a lingerie da Triumph continua a ter, mas não é tão apelativa, digamos assim. E tendo em conta o produto em questão, este factor parece-me importante.
Ou não?

31.3.07

Fermento

Infelizmente tem sido muito mais complicado manter este blog actualizado do que aquilo que eu pensava!
A todos os que perdem tempo a verificar se a Joana já colocou um novo post, cá está ele em formato de pedido de desculpas.
Na verdade não tenho qualquer tipo de desculpa para dar, é uma vergonha eu sei. Mas já agora vou aproveitar para explicar, quer queiram, quer não!
É simples: estive 2 meses sem computador e, consequentemente, sem acesso à internet, logo sem possiblidade de escrever. E o pior de tudo é que durante estes dois meses de ausência não faltaram coisas boas sobre o que falar... no que toca a publicidade, claro!

Por exemplo, queria ter comentado a campanha que o Azeite Gallo fez com alusão à sua história, cada vez mais inseparável dos portugueses, a cantar desde mil novecentos e troca o passo; a guerra aberta entre os bancos, cada vez mais chatos, na minha opinião, na caça ao crédito e ao consumidor final, com o BES a liderar no que toca a criatividade com a campanha da Euribor que a BBDO produziu; o excelente, completo e espectacular anúncio de televisão do Qashqai da Nissan, muito bem conseguido, no que toca a target e posicionamento para aquele modelo. Também em imprensa e outdoors a campanha seguiu notavelmente com alusão à urbanidade do modelo, fazendo aqui um jogo de complementaridade entre o carro e os graffitis da autoria dos Gémeos, dois artistas de São Paulo, cada vez mais solicitados para trabalhos publicitários. Ainda no segmento automóvel, assistimos ao lançamento do C30 da Volvo, polémico no que toca a concenso de opiniões, mas precisamente por isso gerou tanto buzz à sua volta. Se tiverem oportunidade passam pelo site do modelo e preparem-se para a viagem. Não vos deixo o link, pesquisem que vale a pena.

Muito mal esteve a Água das Pedras, com aquela campanha chata, que se tornou absolutamente insuportável às tantas, das garrafas pet para levar para todo o lado. É que não havia nada ali que fizesse sentido, parece mesmo que havia uma ideia clara inicial do que queriam fazer, mas que depois não foi bem concretizada.

No ar estão ainda os anúncios da Oliveira da Serra e, na minha opinião, foram bem conseguidos. O Oliveira e o Serra conseguem ter piada num jeito non-sense completamente absurdo mas com sentido para o que pretendem passar.

Muiiito insuportável é o menino da Seguro Directo a cantar uma música absolutamente horrível! E, sinceramente, não há muito saco para a fortuna que estas empresas de crédito ao consumo têm para gastar em comunicação, é que por mais que eles tentem o resultado é sempre horrível. Ok, pode ser um fenómeno de target, mas mesmo assim, será que vai ser preciso continuar a chamar burras e ignorantes às pessoas durante muito tempo? Se têm um orçamento largo para gastar, usem-no com imaginação e certamente conseguirão atrair quem querem e quem não quer.

Queria ainda comentar mais um spot da campanha Experimenta da Optimus, aquele maravilhoso anúncio num rio da Patagónia com 600 figurantes e a tendência para as manifestações de massas também verificada na banda larga da TMN; a definitivamente mal conseguida campanha das novas Super Bock sem álcool que estão a tirar a paciência ao pessoal para o Bruno Nogueira; a já polémica iniciativa da Região de Turismo do Allgarve criada pela MyBrand que deixou os algarvios irritadíssimos e, finalmente, o lançamento da PlayStation 3. Mas a estes, prefiro dedicar um artigo completo e deixar-me de desculpas porque já chega.

30.1.07

Quem compra o quê?





Arrancou em Janeiro a campanha "Compro o que é nosso", uma iniciativa da AEP (Associação Empresarial de Portugal) que pretende incentivar a compra de produtos made in Portugal gerando valor acrescentado para o país, mais emprego, mais riqueza e mais desenvolvimento económico.
Era bom que se conseguisse criar esta consciência na cabeça dos portugueses, mas na verdade, o grande problema reside em identificar que produtos e que marcas são esses que se produzem no nosso país. E, certamente, aquilo que está aqui em causa não é incentivar o consumo de produtos agrícolas, como a fruta e coisas do género. O grande objectivo é a formação de uma consciência de que aqui se produzem muitas coisas para além dessas óbvias que associamos intuitivamente quando ouvimos falar em produção nacional. Posso estar enganadíssima, mas na verdade tenho uma certa dificuldade em me recordar de marcas portuguesas que já façam parte do meu quotidiano (consciente).
Mais uma vez, os patrocinadores desta iniciativa são marcas que todos nós já conhecemos (Delta, Sonae Indústria, Arroz Caçarola, ou Primor). Continuam a não perceber o principal problema, a falta de informação. Se insistem em não dizer concretamente o que cá se faz, dificilmente, por iniciativa própria, os consumidores portugueses vão criar uma consciência para com esses produtos. Será caso para dizer: se não há oferta, não há procura? Sim, porque se as marcas portuguesas continuarem sem falar com os portugueses, os portugueses vão continuar sem comprar produtos de Portugal! Não será eficaz alertar para os benefícios económicos e sociais de consumir produtos nacionais sem que exista uma campanha específica para a noção clara de que produtos são esses.

Por outro lado, a campanha visa também a sensibilização dos empresários para a competitividade das suas empresas, incentivando-os à inovação, ao empreendedorismo e à criatividade, ao mesmo tempo que pretende levantar a sua auto-estima e dos trabalhadores mobilizando-os para produzirem melhor, ao mesmo tempo que olham a globalização como um desafio possível de vencer. As empresas podem também candidatar-se ao direito de ostentação do logotipo "Compro o que é nosso" nos seus produtos, tendo para isso de cumprir alguns requisitos impostos pela AEP.
Infelizmente, e apesar das boas intenções da campanha, acho que ainda não é por aqui... Talvez a Associação dos Empresários de Portugal devesse antes de mais ter avaliado a sua própria capacidade de inovação e criatividade...